Todos os dias, Renato fazia o mesmo trajeto para o trabalho. Saía cedo de casa, atravessava a rua principal e pegava um atalho que corria ao lado de um córrego estreito. Era o caminho mais rápido.
Mas havia um detalhe que, aos poucos, se tornara invisível para ele: o atalho era feio, cinza, fedido. O cheiro do esgoto impregnava no nariz, os ratos corriam entre as pedras e os muros rabiscados completavam o cenário. Ele chegava ao trabalho de mau humor, sentindo um peso estranho, sem nunca ligar os pontos de onde aquilo vinha.
Um dia por causa de obras, Renato precisou mudar seu trajeto. Em vez do atalho, seguiu pela rua principal. O caminho era mais longo, mas para sua surpresa, passava por um parque. As árvores se alinhavam como guardiãs silenciosas, a brisa trazia o perfume das flores, um coro de pássaros acompanhava sua caminhada. Renato sentiu o corpo relaxar. Respirou fundo, sorriu sem perceber e chegou ao trabalho de outra forma, mais leve, mais disposto, mais vivo.
Naquele dia, algo clicou dentro dele.
Não foi só sobre o caminho até o trabalho. Foi sobre a vida.
A lógica é simples: você é reflexo do ambiente em que se coloca. Não dá para atravessar um “córrego” todo dia, ouvir reclamações, se misturar em conversas tóxicas e esperar sair cheirando a flores. O ambiente molda sua energia, suas ideias, seus pensamentos. Mesmo sem perceber, você carrega o peso daquilo que tolera.
Muita gente se prende a coisas que parecem mais fáceis, rodas de amigos que só reclamam, grupos que só alimentam fofoca, espaços que só cultivam mediocridade. É mais cômodo, é o caminho já conhecido, confortável. Mas no fundo, isso te intoxica lenta e silenciosamente. Você pode até entrar limpo, mas sai impregnado.
Trocar de ambiente não é arrogância, é inteligência.
Você não vai florescer em solo podre. Não vai prosperar se insiste em andar todos os dias pelo mesmo caminho cinza. Às vezes, o maior ato de amor-próprio é mudar a rota, mesmo que seja mais longa, mesmo que pareça mais difícil.
E, assim como Renato descobriu, a escolha do caminho muda a forma como você chega ao destino.
Se você quer flores, plante flores.
Se quer sentir o perfume da vitória, saia do esgoto.
No fim, o ambiente por onde você anda não define só o que você vê, define quem você se torna.
Luiz Leal
Escritor e Palestrante
Programador de Mentes