Carlos acordou cedo, como de costume. Café, noticiário, redes sociais. Lá estavam os grupos da família debatendo política, direita VS esquerda, governo VS oposição, discurso inflamado e dedos apontando. Ele suspirou. Todo ano a mesma coisa, todo ano o mesmo barulho, todo ano a mesma sensação, nada muda de verdade.
Depois do café, pegou o metrô para o trabalho. Olhou pela janela e pensou: quem realmente decide? Enquanto ele discutia cores de bandeiras no grupo de WhatsApp, quem tinha poder de verdade já tinha resolvido tudo muito antes de ele abrir o feed.
Ele enxergou a realidade que poucos enxergam, o jogo não acontece no Congresso, nem nas urnas. O jogo acontece nos escritórios com ar-condicionado, nos fundos de investimento que controlam marcas, bancos, patentes e até a água que ele bebia. Enquanto a massa brigava pelo mini-game da superfície, os verdadeiros donos da bola já acumulavam ativos, trocavam empresas entre si e movimentavam o tabuleiro.
Imagine uma pirâmide:
Na base: marcas e empresas que você conhece (Coca-Cola, Netflix, Nike).
No meio: grupos de investidores que controlam várias dessas marcas.
No topo: famílias bilionárias e holdings globais que decidem o destino de tudo — e de certo modo, de todos.
No fundo, tudo leva ao mesmo castelo. O presidente muda, o CEO muda, o mundo político muda, mas quem decide mesmo permanece no trono. O placar já está definido muito antes do jogo.
Carlos lembrou do seu próprio salário, anos vendendo as horas de sua vida, entregando esforço, criatividade e tempo para empresas que enriquecem os acionistas do topo. A CLT oferecia segurança, mas também era coleira dourada. Um salário mensal que mal acompanha a inflação, uma aposentadoria que mal paga contas. Enquanto isso, quem controla ativos dobra fortunas em dividendos num único movimento.
E o mais incrível, ele não precisava olhar muito para ver como a narrativa se repetia. Cada compra, cada escolha, cada “guerra cultural” viralizada no feed, tudo era parte do mesmo jogo.
Enquanto isso, a massa é distraída com rivalidades fabricadas, negros vs brancos, gays vs héteros, ricos vs pobres. Esse espetáculo não é diferente do "circo de César" pão e entretenimento para manter a multidão ocupada. Enquanto você gasta energia brigando com o vizinho de ideologia oposta, o verdadeiro poder segue sendo exercido lá em cima, nos bastidores, sem esforço, já que a grande massa nem percebe o que está realmente acontecendo.
É a arte mais antiga da manipulação, dividir para controlar. Criar inimigos imaginários para que a massa nunca perceba o inimigo real. E assim, bilhões de pessoas seguem como marionetes, acreditando que estão escolhendo seus próprios lados, quando na verdade estão apenas reforçando as cordas que as prendem.
Comprar uma pepsi ou uma coca, debater ideologias, distrações cuidadosamente desenhadas para manter milhões ocupados enquanto o verdadeiro poder continua a circular lá em cima.
A regra real é clara: quem possui ativos, redes e propriedade decide. Quem só vende tempo e consome ilusão de controle, obedece.
Carlos pensou, podia continuar acreditando que mudar de partido, trocar de chefe ou reclamar no grupo ia alterar o jogo… ou podia começar a jogar de verdade, construindo ativos, redes e liberdade.
O mundo não é sobre “esquerda” ou “direita”. É sobre quem manda e quem obedece. E se você não está fazendo nada pra sair do segundo grupo… parabéns. Você já perdeu antes de começar.
Luiz Leal
Escritor e Palestrante
Programador de Mentes