Conta-se que havia dois homens que jamais se encontraram, mas que, de certa forma, viviam no mesmo erro.
Um era dono de impérios, possuía cifras que fariam qualquer economista babar. Mas sua vida era regida por uma lei silenciosa: “não gastar”. Dormia em mansões com lâmpadas apagadas, vestia ternos gastos de décadas atrás e analisava a conta de luz como se fosse a última batalha da sua fortuna. O medo de perder o que tinha o impedia de viver o que conquistou.
O outro, bem distante da bolha dos bilhões, vivia de aparências. Alugava carros de luxo, comprava relógios falsificados, pedia crédito até pra pagar o jantar. A conta nunca fechava, mas a foto no Instagram era impecável. Sua prisão não era a avareza, era a fome desesperada de ser visto.
Dois extremos. O primeiro vivia aquém da própria grandeza. O segundo, além do que era.
Nenhum dos dois vivia de verdade.
Porque prosperidade não é congelar a vida em um cofre, nem queimá-la em fogos de artifício. Mas dançar conforme a música do momento, com consciência, gratidão e movimento.
E aqui está o ponto que quase ninguém percebe, prosperidade não é um destino fixo. É fluxo. Sua realidade muda, seu momento muda, sua maturidade muda. Se você não se recalibra, fica preso num modelo antigo, como um adulto tentando caber em roupa de criança ou um bebê que nem anda enfiado num terno de executivo.
No fundo, o motor de ambos é o mesmo, medo.
O bilionário muquirana vibra medo de perder.
O falido ostentador vibra medo de não ser aceito.
E os dois, em lados opostos do espelho, acabam sendo escravos da mesma prisão.
Riqueza real não é viver além, nem aquém. É viver agora, do tamanho certo, com verdade e sinceridade. É saber desfrutar do pouco sem se apegar e preparar o muito sem fingir.
Porque se você não sabe aproveitar o mínimo, nunca vai sustentar o máximo.
E se você vive mentindo que já tem o máximo, cava a própria ruína com colher de prata — alugada.
Nem o pão-duro que tranca o cofre, nem o lunático que torra o nada.
O resto? É só ego fantasiado de prosperidade.
O jogo é simples, mas exige coragem: viver o agora com consciência e construir o amanhã com estratégia.
Luiz Leal
Escritor e Palestrante
Programador de Mentes