LUIZ LEAL

10 Out 2025 | 15:00

O novo esporte mundial: julgar o outro sem saber de nada

Na moderna cidade futurista, ergueu-se um auditório diferente de todos os outros. Não havia shows, não havia apresentações. O espetáculo era outro: no palco, subiam pessoas comuns, trabalhadores, artistas, pais, filhos, e a plateia tinha apenas uma função: julgar.
Cada erro era vaia.
Cada tropeço, gargalhada.
Cada lágrima, aplauso sarcástico.
O público não pedia sangue de gladiadores, pedia cancelamento moral. E quanto maior a dor exposta, maior a catarse coletiva.
Um esporte novo, viciante, que virou a nova realidade.
Porque hoje, no palco da internet, vivemos exatamente esse auditório. Julgar virou moda. Talvez até religião. Acusar, cancelar, opinar com raiva sobre vidas que você nunca viveu.
Se o outro caiu, é porque mereceu.
Se chorou, é drama.
Se sumiu, é pose.
Se explodiu, é desequilibrado.
Se não explodiu, é frio.
E a verdade é que transformamos a dor alheia em entretenimento barato. A internet, que poderia ser escada, virou forca.
Rápida. Eficiente.
Tem sangue? Tem cliques.
Tem dor? Tem engajamento.
Só que o detalhe que ninguém percebe é que o ser humano exposto, que ainda é humano mesmo que você esqueça disso, pode estar sustentando a tempos um peso que você não aguentaria segurar por uma semana. Pode estar se dopando pra dormir. Pode estar fazendo terapia pra não desistir. Pode estar atravessando perdas que você não suportaria nem em sonho.
Mas você julga. Porque é mais fácil.
Porque dá a falsa sensação de superioridade e o ego adora esse tipo de droga rápida.
Julgar é o atalho do covarde. É a forma mais baixa de se sentir grande, comparando-se ao outro no momento em que ele está menor. É rir da queda sem perceber que a vida é mestre em inverter papéis.
E como ela inverte viu. Sempre inverte. Mais cedo ou mais tarde, você estará no palco. E então descobrirá o quanto dói ser o centro do espetáculo.
Portanto, se não puder ajudar, cale-se.
Se não conseguir estender a mão, pelo menos não empurre. E se não entender a dor, pelo menos não invente uma história pra justificá-la.
Afinal, você não sabe de nada. E, ironicamente, ninguém sabe de você também.

Meu conselho? Simples.
Esteja ocupado demais melhorando a sua vida para aplaudir a ruína da vida alheia.
Não é virtude, é inteligência.

Luiz Leal
Escritor e Palestrante
Programador de Mentes